Os Grandes Homens – de Alfonso Aguiló – tradução de Almir Gasquez Rufino

Apresento aos leitores outro texto que, tenho certeza, é mais uma lição de vida. É de autoria de Alfonso Aguiló e foi traduzido pelo amigo Almir Gasquez Rufino. Ao clicar no início do texto sobre Stefan Zweig e Rodin o leitor terá acesso direto às informações encontradas na Wikipédia sobre o escritor e o artista, respectivamente, e enriquecerá por certo o seu conhecimento, assim como compreenderá melhor o texto que se apresenta. 

 

Os grandes homens

 

Alfonso Aguiló

 

           O escritor Stefan Zweig relata em sua autobiografia um interessante episódio ocorrido em Paris, em 1904.  Ele não era, então, mais do que um jovem principiante de vinte e três anos, porém tinha a sorte de às vezes se encontrar com alguns dos mais famosos escritores e artistas do seu tempo.  Relacionar-se com alguns desses grandes homens trazia-lhe grande proveito, mas – de acordo com o relato do próprio Zweig – ainda estava para receber a lição decisiva, a que lhe valeria para toda a vida.

Foi um presente do acaso. Surgiu de uma conversa com o amigo Verhaerem.  Falavam sobre o valor da pintura e da escultura, oportunidade em que esse seu amigo o convidou para acompanhá-lo no dia seguinte até a casa de Rodin, um dos artistas mais prestigiosos da época. Naquela visita, Zweig esteve tão inibido que nem sequer se atreveu a falar uma única vez.  Curiosamente, esse seu incômodo pareceu agradar ao velho Rodin, que ao se despedir indagou ao jovem escritor se gostaria de conhecer seu ateliê, em Meudon, e também o convidou para comerem juntos. Havia recebido a primeira lição: os grandes homens são sempre os mais amáveis.

A segunda lição foi que os grandes homens quase sempre vivem da forma mais simples. Na casa desse homem, cuja fama enchia o mundo e cujas obras eram todas elas conhecidas de sua geração, como se conhece aos amigos mais íntimos, nessa casa se comia com a mesma simplicidade que na de um camponês.  Essa simplicidade infundiu ânimo ao jovem escritor para falar com desenvoltura, como se aquele velho e sua mulher fossem grandes amigos seus havia anos.

A lição seguinte surgiu quando o velho o conduziu a um pedestal coberto por alguns panos umedecidos que ocultavam sua última obra.  Com suas pesadas e enrugadas mãos retirou os panos e retrocedeu uns passos. Ao mostrar a escultura, chamou a atenção para um pequeno detalhe a corrigir. “Somente aqui, no ombro … É um momento”.  Pediu desculpas, pegou uma espátula e com um toque magistral alisou aquela pele macia, que parecia respirar como se estivesse viva.  Em seguida recuou uns passos. “E aqui também”, murmurou.  E de novo realçou o efeito de um pequeno detalhe. Avançava e recuava, mudava e corrigia.  Trabalhava com toda a força e a paixão de seu enorme e robusto corpo. Assim transcorreu aproximadamente uma hora. Rodin estava tão absorto, tão envolvido no trabalho, que esqueceu por completo que detrás dele estava um jovem silencioso, com o coração encolhido e um nó na garganta, feliz de poder observar em pleno trabalho a um mestre único como ele. Zweig havia visto revelar-se o eterno segredo de toda arte grandiosa e, no fundo, de toda obra humana: a concentração, o acúmulo de todas as forças, de todos os sentidos. Havia aprendido algo para toda a vida.

Esse breve acontecimento bastou para gravar a fogo naquele jovem estudante como são os grandes homens, os espíritos verdadeiramente elevados.  Sua humildade e capacidade de trabalho são algo muito distante do que se costuma ver em muitas pessoas que se acham grandes, mas apenas menosprezam os demais; personagens arrogantes que se consideram habitantes de um mundo isolado, pessoas presunçosas que transitam pela vida como se somente elas fossem almas eleitas e inteligentes.

Essa autossuficiência, do tipo “você sabe com quem está falando?”, é o contrário da integridade dos grandes homens, que jamais admite o menosprezo do próximo. Quando falam da estupidez humana, sabem bem que eles tampouco são imunes a ela, senão que algumas vezes serão mais inteligentes e outras mais ignorantes do que quem está ao seu lado.

 

Fonte: http://www.interrogantes.net/Alfonso-Aguilo-Los-grandes-hombres-Hacer-Familia-n0-126-IX004/menu-id-29.html.  Acesso em 15 de setembro de 2012.

 

 

4 comentários em “Os Grandes Homens – de Alfonso Aguiló – tradução de Almir Gasquez Rufino”

  1. Caro Prof. Garbi

    Bravíssimo! Texto de significado profundo. Noutras palavras, o maior problema do mundo seria a ignorância.

    Forte abraço!

    1. CARO MESTRE!

      Realmente é uma lição de vida, que vem ratificar a velha máxima: é preciso SER!

      Ser gente acima de tudo, gente como toda gente, pois, só assim o homem aprenderá que o seu bem estar, depende do bem estar dos seus semelhantes!

      grande abraço, Mestre! e PA R A B E N S, qinda que atrasado.

      Sergio F. Gimenez.

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