Padre Vieira

Nosso conhecido colaborador, Doutor Almir Gasquez Rufino, nos encaminha agora duas pequenas orações do Padre Vieira. Sou particular admirador do legado deixado pelo famoso orador e a indicação dos textos oferece a oportunidade para que os mais novos tenham contato com o pensamento, cultura e arte de um dos vultos da nossa língua e para que volte à memória dos mais experientes algumas das tantas lições de vida que ele deixou. Rogamos que o nosso amigo e colaborador possa nos privilegiar com outras orações selecionadas pela sua lente culta e espero em breve contar ainda com uma pequena biografia do grande e influente orador do século XVII e missionário em terras brasileiras. Aqui deixamos o nosso agradecimento. Ao amigo leitor desejamos que aproveite bem a leitura.

– I –

“Posto que a dor do parto seja tão encarecida nas sagradas letras, ainda há outra maior. E qual é? A dor de não ter essa dor, a dor de não ter filhos. A dor de parto é dor da mãe; a dor de não ter filhos é dor da mãe e mais do pai, ou do que o desejam ser, e não são.

A dor do parto é dor de uma hora, a dor de não ter filhos é dor de toda a vida; antes, na mesma morte é maior dor, porque hão de deixar por força os bens, e não têm a quem os deixem.

A dor do parto, como ponderou Cristo, é dor que se converte e alegria; a dor de não ter filhos é dor sem consolação, sem alívio, sem remédio. Finalmente, a dor do parto é dor com que pode a vida; a dor de não ter filhos é dor que mata”

(Sermão gratulatório e panegírico na manhã de dia de Reis …, 1699).

– II –

“Morrer de muitos anos, e viver muitos anos, não é a mesma coisa.

Ordinariamente os homens morrem de muitos anos, e vivem poucos. Por quê? Porque nem todos os anos que se passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra vivê-los; uma coisa é viver, outra durar. Também os cadáveres debaixo da terra, também os ossos nas sepulturas acompanham os cursos dos tempos, e ninguém dirá que vivem.

As nossas ações são os nossos dias; por elas se contam os anos, por eles se mede a vida; enquanto obramos racionalmente, vivemos; o demais tempo, duramos”

(Voz quarta obsequiosa, Sermão das exéquias do conde de Unhão d. Fernando Telles de Menezes)

5 comentários em “Padre Vieira”

  1. Com expoente consideração agradeço ambos os mestres Rufino e Garbi por terem me ensinado em sala mais doque eu poderia imaginar, ambos dão uma lição de vida em suas aulas. “Relato: preciso confessar, professor estava na Saraiva do Shopping Analia Franco para comprar uma obra sobre meu TCC, “Alienação Fiduciária de Bens Imóveis” e quem encontro, nosso saudoso Mestre Rufino, foi bem legal, pois o Professor Rufino virou para a vendedora e disse: – pode dar um desconto pra ele, é meu aluno. foi bem engraçado legal. Bom, gosto muito de ler oque postam no blog, sou espirita Kardecista e admiro muito os ensinamentos e tradições católicos, tanto que quando me casei, eu e minha esposa fizemos questão de concretizar o ato na igreja Católica, com todas as formalidades e quesitos respeitados. Grande abraço para ambos os mestres, estou no oitavo semestre e já começo a me preocupar com a saudade dos amigos e professores que irei sentir da casa Metropolitana, sou suspeito para falar, pois assim como eu e outros amigos sabemos que estamos num dos maiores polos difusores de Cardeais da luz do Direito.

    1. Muito obrigado. Devo fazer uma observação. O Profº Rufino da FMU, que é Carlos Alberto Gasquez Rufino, é irmão do Dr. Almir Gasquez Rufino. É uma família de juristas. Quem encaminhou o texto, portanto, não foi o Profº Rufino. Ambos são meus amigos de longa data. Espero contar oportunamente também com a colaboração do Profº Rufino.

  2. Professor Garbi,

    Já adicionei seu blog à minha lista! Gosto muito de acompanhar blogs jurídicos (acompanho quase que diariamente, tenho uma listinha aqui), principalmente porque trazem uma versão um pouco diferente da tradicional dogmática que estamos acostumados…
    Daqui para frente serei um fiel leitor!

    A Mariana está muito feliz por poder aprender bastante com o senhor. E, claro que também estou – não poderia haver melhor professor! Aliás, confesso que ainda preciso parar um dia para tomarmos um café (e, claro, falarmos de Direito)

    Saudações também dos meus pais, lá de Catanduva, que estarão sempre à disposição quando estiver por aquelas bandas!

    Um abraço,
    Roberto Cestari (filho)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s