A Impaciência dos Homens – de Alfonso Aguiló – Tradução livre de Almir Gasquez Rufino.

A Paciência, como sabemos, é uma virtude pouco cultivada nos dias de hoje. Diante da velocidade dos acontecimentos do mundo somos levados a exigir respostas imediatas. A paciência pode ser o melhor remédio muitas vezes. Sobre o tema são as palavras de Alfonso Aguiló, vertidas para o português na tradução do nosso amigo culto e estudioso Almir Gasquez Rufino.

A Impaciência dos Homens

Alfonso Aguiló

Antiga lenda norueguesa conta a história de um velho monge chamado Haakon, que cuidava de uma capela onde existia uma imagem de Cristo bastante venerada. Muita gente acudia ao local para orar.  Certo dia, o próprio Haakon, movido por generoso sentimento, ajoelhou-se diante da cruz e disse: “Senhor, quero padecer por vós. Deixai-me ocupar vosso lugar. Desejo substituir-vos na cruz”. E permaneceu com o olhar fixo na imagem, como a esperar uma resposta. O Senhor abriu os lábios e falou. Suas palavras caíram do alto, sussurrantes e admoestadoras: “Filho meu, atenderei ao teu desejo, mas com uma condição”.  “Qual, Senhor? Estou disposto a cumpri-la com tua ajuda!”  “Escuta: aconteça o que acontecer e seja lá o que vires, deves sempre guardar silêncio”.  Haakon respondeu: “Eu prometo, Senhor”. E trocaram de posição sem que ninguém o percebesse.

Não houve quem reconhecesse o monge preso à cruz, enquanto o Senhor ocupava o lugar de Haakon. Durante muito tempo, esse último cumpriu o compromisso de não dizer nada do que se passou.

Porém, em uma manhã chegou à capela um homem rico; depois de pensar muito por uns momentos, retirou-se, mas deixou ali esquecida a carteira. Haakon viu tudo e se calou.  Também não disse nada quando um pobre, que veio ao local uma hora mais tarde, apropriou-se da carteira do rico. Ainda manteve-se em silêncio quando, pouco depois, um jovem prostrou-se diante dele para pedir-lhe proteção antes de empreender uma longa viagem para o outro lado do oceano.

Não demorou a que o rico retornasse em busca de sua carteira.  Como não a encontrou, logo pensou que o jovem havia se apropriado dela. Disse-lhe: “Devolva-me a carteira que roubou!” Surpreso, o jovem respondeu: “Não roubei carteira nenhuma!” “Não minta; devolva-me logo!” exclamou o rico. “Repito que não apanhei carteira nenhuma!”  O rico não se conteve e investiu furiosamente contra ele.  Nesse momento ouviu-se uma voz forte: “Para!” O rico olhou para cima e percebeu que a imagem lhe falava.  Haakon, do alto da cruz, defendeu o jovem e censurou o rico pela falsa acusação. Este ficou assustado e deixou a capela. O jovem retirou-se também porque tinha pressa para empreender viagem.

Quando a capela ficou vazia, Cristo dirigiu-se ao monge e lhe disse: “Desça da cruz. Não serves para ocupar esse posto. Não soubeste guardar silêncio”.  “Mas, Senhor”, defendeu-se o monge, “como poderia eu permitir essa injustiça?” Jesus, então, voltou a ocupar a Cruz e o monge permaneceu diante dele.

À tarde, o Senhor voltou a falar-lhe: “Tu não sabias que era conveniente ao rico perder a carteira, pois carregava nela o preço da traição de sua mulher. O pobre, ao contrário, necessitava muito do dinheiro. Quanto ao jovem que seria agredido, as lesões o impediriam de realizar a viagem que para ele seria fatal: há poucos minutos acaba de afundar o barco em que se encontrava, o que lhe resultou a perda da vida. Tu não sabias de nada. Eu sim e por isso me calo tantas vezes”.

Em muitas ocasiões nos perguntamos por que razão Deus não nos responde, por que permanece calado, por que não faz de imediato o que para nós talvez até parece evidente. Muitas vezes quereríamos que Deus se mostrasse mais forte, que atuasse de maneira mais clara, que derrotasse de uma vez por todas o mal e criasse um mundo melhor.

No entanto, quando resolvemos organizar o mundo à nossa maneira, adotando e assumindo o papel de Deus, o resultado é que tornamos o mundo pior.

Podemos e devemos influir para que o mundo melhore, mas sem nunca esquecer de quem é o Senhor da história.  Como assinalou o papa Bento XVI, nós talvez soframos diante da paciência de Deus. Porém todos necessitamos de sua paciência. O mundo se salva pelo Crucificado, Jesus Cristo, e não pelos crucificadores.  O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens.

            Fonte: http://www.interrogantes.net/Alfonso-Aguilo-La-impaciencia-de-los-hombres-Hacer-Familia-n0-139-X005/menu-id-29.html

Acesso em 14 de junho de 2012.

Tradução livre de Almir Gasquez Rufino.

2 comentários em “A Impaciência dos Homens – de Alfonso Aguiló – Tradução livre de Almir Gasquez Rufino.”

  1. Muito sábio, realmente a impaciência tem atormentado o ser humano, carecemos muito da paciência de Deus!!

  2. Realmente devemos ter muito mais paciència! Parabéns ao Dr. Almir Gasquez Rufino!!! De sua colega de colégio – Elisabete Regina Martins

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