Os Dois Lobos

Este artigo de Alfonso Aguiló, traduzido pelo Culto Doutor Almir Gasquez Rufino, Procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo, escritor e coordenador de várias  obras jurídicas, inaugura a participação neste blog dos colaboradores e a publicação de outros temas. Não poderia começar melhor e registro o meu agradecimento ao tradutor pelo privilégio de contar com a sua participação.

 

Alfonso Aguiló

Em uma noite estrelada, um velho índio cherokee estava ensinando aos seus netos como deviam orientar a vida, sobre como cada um de nós decide, pouco a pouco, que tipo de pessoa quer ser. E o fazia com a sábia pedagogia dos contos e das fábulas antigas.  Dizia-lhes: “Todo homem tem sempre uma luta dura em seu interior. Uma luta que há também dentro de mim. Um combate terrível entre dois lobos”.  “E quem são esses dois lobos?”, perguntaram intrigados os netos. “Um lobo representa o medo e o outro o amor”, respondeu o velho.

Explicava-lhes que o primeiro lobo representa a inveja, o rancor, a arrogância, esse vitimismo que nos faz sentir pena de nós mesmos e nos impede de lutar. Um lobo que tem medo porque é inseguro e que pretende encobrir esse medo com agressividade, mentindo, atacando à traição.

O outro lobo, aquele que representa o amor, também tem que lutar. O amor não é passivo e despreocupado; tem que lutar constantemente para sobreviver. Deve se esforçar a cada momento para criar espaços de paz, de liberdade, de afeto, de compreensão. Tem que se sobrepor à mentira dos outros, à ingratidão, à tentação que sentimos de responder ao mal seguindo o mesmo caminho.

E esses lobos também estão lutando dentro de vocês. Não percebem?”, concluiu o avô, olhando-os com atenção. Os netos ficaram pensativos. Então começaram a formular aquelas perguntas que as crianças geralmente fazem com uma surpreendente visão das coisas.

Eram pequenas questões que confirmavam essa luta interior que se produz desde a mais tenra infância em qualquer pessoa e que convém ajudar a reconhecer e saber lidar com ela o quanto antes. No final, surgiu a pergunta-chave, a qual, logicamente, mais os inquietava: “Vovô, é verdade que os dois lobos estão dentro de nós, mas, afinal, qual deles ganhará?” O velho deteve-se por um momento para que seu silêncio trouxesse maior solenidade a algo que era importante para a educação moral daqueles meninos: “Querem saber qual dos dois lobos vencerá? É muito fácil. Aquele que vocês decidirem alimentar”.

Também temos dentro de nós esses dois lobos: o mal e o bem, o medo e a confiança. A luta é diária. A cada momento, em nosso interior, tomamos pequenas decisões. Ora alimentamos um lobo, ora outro. Às vezes nos damos conta disso e em outras o costume não nos deixa perceber que o fazemos.

De nós mesmos depende que um lobo se torne maior e mais forte e mantenha o outro afastado. E pode haver épocas em que um deles, que parecia estar vencendo, sofra surpreendentes derrotas. É talvez uma advertência da natureza, a nos prevenir contra o engano de pensar que o bem pode manter seu predomínio sem esforço ou, ao contrário, que o mal não nos pode vencer. A luta é diária e nunca estará totalmente decidida. Aí está em grande parte o fascínio e a graça de viver.

Controlando nossos pensamentos, podemos alimentar o pessimismo ou o otimismo.  Modulando nossos desejos, podemos alimentar o egoísmo ou a generosidade. Podemos nos fechar no vitimismo ou buscar transmitir uma mensagem positiva.  Churchill afirmava que “um otimista vê uma oportunidade em toda dificuldade, enquanto que o pessimista vê uma dificuldade em toda oportunidade”.

Diante da adversidade, que se apresenta no dia a dia em nossa vida, podemos nos abandonar ao medo ou enfrentá-lo. Se damos espaço excessivo ao medo da rejeição ou do fracasso, se pensamos demais em “o que dirão” ou ainda se ficamos repetindo mensagens que nos desencorajam em vez de animar, então nos predispomos ao fracasso, porque, como dizia Henry Ford, “se crê que pode, tem razão; e se crê que não pode, também tem razão”.

Fonte: http://www.interrogantes.net/Alfonso-Aguilo-Los-dos-lobos-Hacer-Familia-n0-216-10II012/menu-id-29.htmlAcesso em 7 de maio de 2012.

Tradução de Almir Gasquez Rufino.

e-mail: almirgasquez@uol.com.br

4 comentários em “Os Dois Lobos”

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